domingo, 8 de janeiro de 2012

A reorganização da COMAP (8 de janeiro de 1960)


Está acéfalo o organismo controlador e fiscalizador de preços da cidade.

A Comissão Municipal de Abastecimentos e Preços precisa ser reorganizada e entrar em ação imediatamente. Precisa, é bem o têrmo, pois uma série de abusos vem se verificando a miude entre os marilienses, em diversos setores.

O novo prefeito mariliense, deverá, com urgência, interessar-se pelo assunto, reorganizando a COMAP e pondo-a a trabalhar. Na oportunidade dêste lembrête, sugerimos ao sr. Octávio Barretto Prado, que integre o organismo referido, de preferência com alguns elementos da camada popular, aqueles que mais diretamente sentem os efeitos das altas e os ricocheteios da ondulação inflacionária. Sobretudo, por pessoas dispostas a trabalhar e que possam dedicar alguns momentos diários nessa fiscalização, pois, verdade é, nem todos os integrantes das gestões anteriores dêsse órgão, puderam ou souberam bem cumprir essas faculdades.

As pessoas que não puderam desenvolver essas funções de maneira direta, eficiente e sincera não devem ser indicadas e nem nomeadas. Trata-se de serviços gratuitos, é lógico. Mas serviços relevantes, de verdadeira utilidade pública, de interêsse direto das famílias marilienses. Precisamos, em Marília, estabelecer algumas coordenadas mais objetivas e que deixem de dar margem ao campeonato de abusos diversos. Urge, por outro lado, que o próprio comércio, maximé o varejista, se digne também a emprestar essa colaboração (que tem o seu fundo patriótico, diga-se de passagem) ao presidente da COMAP, sem a imposição de alevações quase diárias e exageradamente percentuais, em diversos produtos, gêneros e coisas.
A boa vontade, no caso, deve ser de todas as partes: da COMAP, do comércio e do próprio povo.
As funções da COMAP são múltiplas, difíceis mesmo. Mas são legais e sobretudo, justas. Daí os motivos a justificarem a necessidade de sua reorganização. Reorganização e operosidade, frise-se. Mercado, feiras livres, vendedores ambulantes, diversos estabelecimentos comerciais precisam sentir êsses efeitos e seus responsáveis perceber a importância e a necessidade de uma colaboração mais apertada, de modo geral. Estamos vendo muita coisa errada nesse campo em Marília. Tanta coisa, que se torna até difícil de enumerar.
Portanto, necessário é que o sr. Prefeito Municipal e seus novos colaboradores atentem bem para êsses pormenores. A COMAP deve, urgentemente, ser reorganizada. E trabalhar. E não autorizar aumentos sôbre aumentos, mediante simples justificativas das partes interessadas, sem u’a análise pura, direta, técnica, das razões apresentadas. Em beneficio geral, destaque-se.
Por certo, o sr. Prefeito Municipal já pensou sôbre essa questão, que, embora de aparência insignificante em relação ao ról dos vários problemas municipais, é também assunto que encerra responsabilidade, pois diz respeito direto aos interêsses dos munícipes.
Ao deixar aqui a presente lembrança, deixamos também consignados os nossos votos para que tudo possa ser concretizado conforme esperam os marilienses, especialmente os marilienses menos favorecidos pela fortuna.
Extraído do Correio de Marília de 8 de janeiro de 1960

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