segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

B.B. teve um Bebê (23 de janeiro de 1960)



O epígrafe supra não é de nossa autoria. É de um jornalista de escól embora provinciano: Ruy Menezes, diretor do jornal “Correio de Barretos”.

Numa das últimas edições do mencionado diário, Ruy Menezes focalizou em sua coluna de fundo, o fato do nascimento do primogênito de Brigitte Bardot, a fabulosa e famosa BB. E o fez de maneira como deveria mesmo ser feito. Analisou, não o nascimento de mais um pimpolho, mas a mãe deste, a BB. Nessa apreciação, Ruy Menezes deixou claro o sentido moral da questão toda, detendo-se na conduta das exibições cinematográficas de Brigitte Bardot, sua fama, suas formas, sua beleza (?), seu porvir e inclusive a sua dignidade de mulher vulgar e de mãe real.

O artigo, gostoso de ser lido, sensato em sua vasa, oportuno, merece ser difundido. Isto vamos fazer, transcrevendo-o “in totum”.

Vejamo-lo:

“Com bastante estardalhaço, como se êsse negócio de dar à luz fosse coisa muito difícil para as mulheres, noticiaram os jornais do mundo inteiro, em primeira página, ao alto das “manchetes”, que Brigitte Bardot teve o seu primeiro filho.

Mas, afinal quem é essa senhora? Nada mais que uma artista cinematográfica muito medíocre e feia, que não penteia os cabelos, que tem a boca estofada para fora, como se um maribondo tivesse mordido seus lábios, e que, tendo inegavelmente um corpo bem feito, se notabilizou por expô-lo à vista das plateias do mundo todo. Por qualquer coisinha a Brigitte bota as nádegas à mostra!

Não é preciso dizer que, com isso, por via dessa falta de vergonha, é, hoje, mulher famosa, tanto que seu casamento com um gajo qualquer deu trabalho inclusive no glorioso exército francês. É que o marido, convocado para as fileiras após seu consórcio com BB, foi tomado de doença grave e séria: dizem que a nostalgia determinada pela distância da bem-amada, coisa que, atacando, de comum, todos os maridinhos do mundo, sòmente no caso do esposo de BB foi que mereceu consideração. E o pior é que o rapaz já se conformou com o seu novo apelido: o marido de BB – destino inglório reservado a todos quantos caem nessa tolice de desposar mulheres celebres. Perdem a personalidade por via disso. Ah! se esses trouxas soubessem como é bom um sujeito casar-se com uma mulher feia e conservar, no entanto, a personalidade, ser êle mesmo e não, aquele que tem uma mulher cobiçada por brancos, pretos, amarelos e vermelhos, como se tudo aquilo não tivesse dono, fosse terra-de-ninguém, a ser utilizada a vontade, sem um pedido de licença a quem quer que seja!

Mas, voltemos: a BB teve um bebê! Que os tenha às dúzias, são os meus votos, mas, que os traga à luz dentro daquele recato indispensável à importância e grandeza da maternidade, que é coisa séria, bem que Deus concede sob certas e árduas condições. Que os filhos, que forem nascendo agora, façam daquela mãezinha da pá virada uma criatura compenetrada da nova missão que lhe foi confiada, do novo papel que deverá representar, não mais em suas fitas escandalosas, mas, na tragédia da vida, na luta pela reprodução da espécie e nessa caminhada angustiosa do homem pelo planeta.

Que se esqueça ela de fazer beicinhos para endoidecer os parvos que se refestalam nas poltronas dos cinemas e grudam os olhos ávidos na téla para o nú provocante de BB, sem pudor, imoralíssima, como se as flôres da graça feminina não mais se valorizassem com o perfume do recato e da humildade. Que não mais se dispa para o público do mundo inteiro, porque, a continuar dessa forma, um dia, BB terá notícia, daqui a alguns anos, que, numa “reprise” sensacional de seus “films” indecentíssimos, na plateia, um jovem escondeu o rosto envergonhado, mergulhado entre os ombros e o corpo todo escorregando pela cadeira abaixo – o seu próprio filho, que pretendeu vêr para orgulhar-se da “arte” de sua mãe, glorificada pela voracidade dos apetites da humanidade tôda!”

Extraído do Correio de Marília de 23 de janeiro de 1960

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