quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Banda Municipal (5 de janeiro de 1960)





Inúmeras vezes temos focalizado nesta coluna, a urgência de a Corporação Musical Mariliense ser reorganizada e melhor amparada pelos poderes públicos.

Sabemos constar do plano de ação do prefeito Barretto Prado, interêsses e providências no sentido de solucionar vários impasses existentes e de há muito pendurantes no mencionado organismo, cuja vida, há bastante tempo, deve-se exclusivamente à boa vontade do maestro Jorge Galati.

A Banda Municipal está “entregue às traças”, diga-se a verdade. Não possui instrumental condigno; não possui sequer um local para guardar as suas estantes, que ficam amontoadas em plena Praça Saturnino de Brito, expostas ao sol e à chuva. Seus músicos, não possuem o tradicional uniforme, apesar de que um movimento particular foi feito neste sentido, com a angariação de 33 mil cruzeiros, quantia insuficiente para atender o “quantum” das despesas de 15 trajes especiais. A sala destinada aos ensaios da Corporação, cedida pela municipalidade é uma aberração contra tudo, inclusive contra os mais elementares princípios de higiene (sem água e sem instalações sanitárias) e está prestes a desabar.

Os músicos percebem u’a ninharia perfeita. Um ordenado variável, que às vezes não chegar a somar sequer a quantia de 400 cruzeiros “per capita”! Ganhar essa insignificância para tocar aos domingos e ensaiar duas vezes por semana, convenhamos, é até ridículo.

Além disso, os abnegados componentes da Banda, executam as suas retretas, todos os domingos, em pé, desacomodados, por falta de um corêto, ou, pelo menos, um local condizente com a situação.

Conversávamos na noite de domingo último, com um dos componentes da Banda Municipal. Nos mostrava o aludido músico completa descrença na continuidade da Corporação, pelos motivos citados, os principais. E nos afiançava que a Banda deixaria de executar as suas costumeiras retretas, tão apreciadas pela criançada e também pelos adultos, pelo menos por enquanto. Dizia que estavam os dirigentes da Corporação, aguardando quaisquer atenções por parte do novo Prefeito Municipal.

Efetivamente, o sr. Octávio Barretto Prado e a nova Câmara Municipal, devem, com urgência, interessar-se pelo assunto referido. Não poderemos permitir o desaparecimento da Banda Municipal de Marília, sòmente por falta de amparo da municipalidade. Para não irmos longe, mencionaremos a Corporação de Vera Cruz, município de posses financeiras inferiores às de Marília, mas que sabe colocar a sua Banda Pública no lugar de devido destaque, prestígio e confiança.
Como dizíamos, na conversa com êsse músico, nos afiançava o mesmo que Marília tem possibilidades e facilidades de organizar uma Banda excelente, até com 30 figuras, pois existem em nossa cidade músicos bons e em número suficiente para tal. Sucede que nas contingências atuais e com as gratificações tão ínfimas, ninguém, a não ser o pequeno número dos componentes da Banda, se animará a formar o referido aumento.
Aí está, portanto, um assunto que deve interessar de perto o novo Prefeito Municipal e nesse sentido, deixamos aqui o lembrete.
Extraído do Correio de Marília de 5 de janeiro de 1960

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