terça-feira, 20 de setembro de 2011

Campanha de Produtividade (20 de setembro de 1959)

O povo brasileiro, fóra de dúvidas, é extraordinário. Tem lá o seu “quezinho” de pejorativo, quando demonstra sua displicência ou descrédito ao próprio futuro da Nação, mas êsse defeito é superado pelo seu dinamismo e compreensão, pelo desejo de servir e ser útil. Orientado ou conclamado a acercar-se de qualquer movimento que seja necessário, acode de pronto.

Só reclamá-lo, êle diz “presente”. A polícia recomenda: “Não dê esmolas na rua”. O brasileiro pensa em atender, mas quando o mendigo (autêntico ou falsificado) estende a mão, êle contribui com qualquer coisa. Uma catástrofe, uma doença em pessoa pobre, uma emergência qualquer, é só procurar e inteirar o brasileiro que êle dá qualquer coisinha. E o faz naturalmente.

Ocorreu-nos isso agora por ocasião da Campanha da Produtividade, encetada pela Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo e magnificamente desenvolvida pelos agrônomos daquêle órgão. U’a medida patriótica e necessária, pelo fundo importante que apresenta e pelas consequências futuras que traduzirá para a própria economia brasileira e bem estar das gentes. Os lavradores responderam ao apêlo do Govêrno. Os nacionais e os estrangeiros, que também estão imbuídos no mesmo servir e no mesmo viver.

A aproximação da lavoura paulista ao mencionado órgão governamental, sôbre cujos costados pesa a enorme responsabilidade de traçar os destinos da produção agropecuária. Os lavradores, convocados para essa incumbência eminentemente patriótica, acercaram-se de pronto, dispostos a colaborar, ouvindo os conselhos técnicos, sendo orientados, discutindo e trocando idéias e pontos de vista elucidatórios. Viu-se presente o entusiasmo que constrói, a vontade de colaborar com o próprio Govêrno Estadual, aquêle entusiasmo e aquele mesma boa vontade tão característica e paquidérmica dos brasileiros, que tão bem representa a esperança e a confiança com que as nossas autoridades determinam e discriminam nosso povo.

Agricultura organizada e adiantada significa independência, porque coloca a Nação em situação de privilégio, alimentada e em condições de desprezar importações, importações que carreiam divisas para o exterior. Agricultura técnica e bem dirigida, produzindo e contento e necessariamente, representa um dos mais importantes índices da independência econômica interna de um país e significa um nível elevado de compreensão, necessidade e trabalho.

Nêsse particular, obrou bem o Govêrno Estadual. Maximé tendo-se em vista que o Govêrno da União está descurado dêsse ponto básico, naquilo que lhe compete realizar. Aliás, a êsse respeito, diga-se de passagem, o carinho e as atenções do Presidente da República, dispendidos em pról da indústria automobilística nacional, fizeram-no olvidar-se da agricultura. E São Paulo, como o Estado líder da Federação, que tantos e tantos exemplos dignos de brasilidade já na própria pátria, coloca-se mais uma vez na vanguarda de uma iniciativa de renome e de esperança, impregnada do mais sadio e urgente patriotismo.

Ao tecermos essas considerações, aqui deixamos nossos aplausos aos responsáveis pela Campanha da Produtividade, acompanhados dos anguros de um transcorrer satisfatório e alcance dos pontos e objetivos colimados. Que não surja nenhum esmorecimento, porque a preconizada Campanha da Produtividade tem um outro significado ainda mais importante: é a Campanha da Redenção da Agricultura Paulista.

Extraído do Correio de Marília de 20 de setembro de 1959

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