sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Isto não deve acontecer! (19 de agosto de 1959)


Não uma e nem duas vezes, no passado, já abordamos semelhante assunto. A questão de paixões desenfreadas no que diz respeito ao partidarismo político, maximé nas ocasiões que antecedem os pleitos eletivos, deve merecer atenções gerais, notadamente por parte dos próprios dirigentes políticos.

Marília, com uma população que se considera culta, não deve incorrer em exemplos dos mais desairosos, que por aí afóra campeiam.

Época pré-eleitoral é ocasião propícia para os que, de espírito baixo, se aproveitam para descer ainda mais, vindo a público com ataques pessoais e até “sujando a agua” da vida particular dos adversários. Método contra-producente e contra-indicado. O candidato político ou seus cabos eleitorais, conforme o caso, devem usar o expediente utilizado pelo bom comerciante. O comerciante atinado e experimentado, jamais tenta convencer o freguês, de que a mercadoria do concorrente é pior do que a dele; pelo contrário, ele se esforça e esmera na argumentação, para provar que a mercadoria que vende é superior à do vizinho.

Entre o afirmar que a mercadoria dêle é melhor do que a do outro e o de afiançar que os produtos alheios são piores do que dêle, existe enorme diferença, bem capaz de identificar o bom do mau comerciante.

Na política deve ser igual. Nunca um candidato ou seu partidário, deveriam tentar provar que os antagonistas não prestam; pelo contrário, eles estão na obrigação, de tentar convencer o público, de que eles é que são melhores do que os outros. Mas em linguagem polida, sadia, decente, e elevada.

Os que se utilizam de ataques pessoais contra os adversários, usando, como temos visto, até expressões torpes, denotam fraqueza de espírito, falta de respeito para com o próximo e para com o público, e, o que é pior, falta de habilidade e competência para a desobrigação do compromisso ou responsabilidade empenhada.

Já tivemos o exemplo disso, aos termos o ensejo de ouvir algumas orações da campanha política local, que, conforme se diz na gíria, principia a “pegar fogo”.

Violência, gera violência. Ataques impõem revides. Se não existirem freios para acautelar os gestos disse jaez, podem os marilienses ter certeza de que, este ano, a campanha política será enegrecida grandemente.

Essas discussões, ataques pessoais, mentiras deslavadas e tantas outras fórmas da política sórdida, que tanto agradam aos eleitores de mentalidade tacanha, não esclarecem nada; pelo contrário, aumentam o clima de confusão apreciativa das qualidades dos candidatos, pois para o publico e de acôrdo com os lados que defendem e atacam, os aspirantes a postos eletivos passam a ter duas personalidades: qualidades boas e inatacáveis para os seus pares e condições indígnas e desprezíveis para os adversários. O eleitor neutro, o que pretende auscultar para conhecer e decidir-se, ao ouvir dois ou três discursos, de partes diversas e sôbre os mesmos nomes, acabará por perder a fé e considerar tudo perdido!

Vimos recentemente dois exemplos em Marília: Um cidadão atacando outro e o revide surgindo em seguida; vimos também um candidato falando bobagens num palanque e assacando mentiras infantís contra um adversário político. Mentiras infantís, repetimos, pela falta de lógica e porque abordaram um hipotético e inexistente acontecimento, eivado de absurdos sem conta!

Ou freio, ou a questão descambará para o ridículo e pejorativo! E isto não deve acontecer em Marília.

Extraído do Correio de Marília de 19 de agosto de 1959

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