quinta-feira, 16 de junho de 2011

Algumas respostas (16 de junho de 1959)

Habitualmente, recebemos de nossos leitores, cartas de conteúdos múltiplos, de sentidos poliformes. Gostaríamos de atender a todos os que nos procuram ou que apresentam sugestões das mais variadas. Nem sempre, entretanto, possível é o aproveitamento das idéias que nos são transmitidas; uma vezez, escapam ao objetivo do jornal ou a ética profissional; outras, embora pareçam importante para os missivistas, destituem-se de interesse geral. De qualquer maneira, resta-nos agradecer a todos os que, de uma ou outra fórma, nos prestigiam e tentam ofertar-nos algum motivo com intenções de fácil aproveitamento.

Recebemos recentemente três cartas. Iremos aborda-las, para que os leitores póssam melhor aquilatar aquilo que dissemos anteriormente e vejam que temos nossas razões em não atender, muitas vezes, as correspondências que nos endereçam alguns leitores. Vejamos!

J. A. F., A. A. Santos e Darcily, são os signatários das cartas em fóco.

Nenhuma trouxe endereço identificador. Olhem como se manifestaram tais missivistas: O primeiro, pede-nos um comentário (?) sôbre um acontecimento desairoso que abalou a sociedade mariliense recentemente. Não sabemos se o Sr. (ou sra.) J.A.F. é muito ingênuo ou acredita que nós é que o sejamos.

A. A. Santos, solitita-nos que alertemos quem de direito, com respeito à carestia da vida. E argumenta-nos um arrazoado sobejamente “batido” por todos, inclusive por nós, nésta coluna. Só uma coisa nos chamou a atenção na carta de A. A. Santos: foi seu clamor com referência aos preços das roupas de frio. Supomos que A. A. Santos seja chefe de família e sinta, como todos nós, nas próprias carnes, as dificuldades para aquisição de agasalhos para os filhos. Infelizmente, porém, nossas forças são nulas frente aos desgovernos destes Brasis e nada poderemos fazer sôbre o caso, a não ser partilhar do sentimento desse missivista, incorporando-nos à sua desdita.

A terceira carta é de Darcily. Péde-nos que sejam intérprete junto à Cia. Telefônica, de seu apelo, por sinal simples de atender: Reclama Darcily contra o reflexo que o sól produz, ao incidir sôbre diversas placas de metal, existentes nos postes da mencionada emprêsa. Sugere a missivista, que a Companhia ao envez de deixar tais objetos reluzentes, que passa sôbre os mesmos uma camada de tinta, deixando-as opacos, de maneira que não produzam os reflexos referidos.

Para nós, sempre passou despercebido tal fato e só constatamos êsse pormenor, ao verificar o assunto em aprêço, após o recebimento da carta em referência. Nada podemos dizer, portanto, a respeito.

Como vêm os leitores, coisas assim, acontecem à miude na redação de um jornal, receptáculo por excelência, de clamores e repercussões de pensamentos, como intérprete fiél do próprio módo de pensar de uma coletividade. Nem todos os rôgos que se nos fazem presentes, podem, portanto, merecer divulgação, pois alguns chegam a ser ridículos, pela puerilidade que apresentam.

Temos ainda uma outra carta que nos chegou às mãos há dias, sem assinatura ou endereço. Não seria tomada em consideração, mas já que respondemos às três citadas, e, tendo em vista o objetivo plausível da mesma, aqui passaremos a referi-la: um leitor que deve, pelo jeito, ser “habitué” dos cinemas locais, solicita-nos que interfiramos junto ao sr. Ezequiel Bombini, no sentido de que seja instalado no Cine Marília, à exemplo do São Luiz, um bebedouro público. Com a palavra, portanto, “seu” Ezequiel.

Extraído do Correio de Marília de 16 de junho de 1959

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