sábado, 8 de janeiro de 2011

Espetáculos obscenos (8 de janeiro de 1959)

Estamos lendo agora, no jornal “Diário de Sorocaba”, edição de 3 último, uma justificada “bronca” em artigo de redação, estampado em primeira página, com referência ao pretendido oferecimento de espetáculos teatrais obscenos na “Manchester Paulista”.

Como se trata de uma “companhia” que já se apresentou em Marília e que poderá oportunamente por aqui reaparecer, transcrevemo-nos, a seguir, o inserido pelo citado órgão sorocabano, cujo texto está assim redigido:

“Há alguns meses passados um espetáculo obsceno levado em um dos cinemas de nossa cidade, constituiu-se num real ultraje à sociedade sorocabana. Lembram-se os leitores que, através de nossas colunas, profligamos o espetáculo imoral, a peça “Falta um pedaço no meu marido”.

Também a Confederação das Famílias Cristãs levantou o seu brado de alerta. Mas o sr. Milton Carneiro, responsável por aquela indecência que se apelidara de “representação teatral”, fez ouvidos moucos ao protesto da família sorocabana, e com o dinheiro torpemente ganho, foi-se daqui para outras plagas. Agora está anunciando o seu reaparecimento em nossa cidade, no próximo dia 13.

Segundo informações colhidas pelo reportagem do “Diário”, o sr. Milton Carneiro esteve em Londrina, onde apresentou a sua revista imoral, no cine Ouro Verde. E tinha programado e tinha programado para o dia seguinte ao da estréia, um espetáculo vesperal, que não chegou a ser realizado, pois o meritíssimo juiz daquela comarca o impugnou. Não se trata, pois, de um “falso puritanismo” da família sorocabana, como alguns quiseram interpretar, mas realmente de uma comédia obscena, imoral, pois Londrina também a repugnou.

À vista dos antecedentes daquêle senhor, de acôrdo com os fatos que aqui estamos apontando, desde já lançamos um brado de alerta. A Confederação das Famílias Cristãs, através de sua comissão de Moral e Costumes, poderá desde já estudar o assunto, a fim de de que o fato não venha a se repetir em nossa cidade, para que escorracemos, por antecipação, aquela excrescência em forma de representação teatral.

Se a Confederação dirigir-se ao nosso meritíssimo juiz de Direito temos a certeza de que s. excia., que se tem revelado em todos os momentos defensor intransigente do pundonor da família sorocabana, não permitirá que a nossa sociedade seja envolvida pelos que mercantilizam a moral e não escolhem caminhos para atingir os seus torpes desígnios”.

Extraído do Correio de Marília de 8 de janeiro de 1959

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