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Só dando com um gato morto... (31 de outubro de 1958)

Aborda-nos um cidadão ilustre de Marília. Depois dos cumprimentos, alguns “confetis” e palavras diversas, acaba por passar-nos uma “big” descompostura, deixando-nos a matutar sôbre suas palavras algo voluntariosas e pelo modo como defendeu um ponto de vista contrário daquilo que entendemos. Censurou-nos êsse amigo, pelo fato de termos manifestado, em escritos anteriores, nosso ponto de vista de que o atual Presidente da República não está fazendo o govêrno que dêle esperávamos (como esperam milhares outros de brasileiros). Sucede, porém, que discordamos da idéia de nosso leitor e amigo, discordância essa que mais se solidificou, quando solicitamos ao mesmo que nos expuzesse as razões pelas quais classifica o sr. Kubitschek como um bom govêrno. Perguntamos ainda se era a questão “Brasília” que o consagraria e quais as providências de fato e de direito palpável que poderiam ser apontadas como corroboração do dito. Não ficamos convencidos com a argumentação de nosso interlocutor, porque t...

Nova “Lei Cadilac”? (29 de outubro de 1958)

A notícia provém do Rio de Janeiro e foi divulgada por agencia noticiosa de idoneidade insuspeita. Por aí, pode-se deduzir que tenha a sua razão de ser. Alguns cafajestes e maus brasileiros (antes de mais nada), cogitam a elaboração de nova e infame “lei cadillac”, objetivando, à custa das condições de deputados federais, exercer uma sangria indelével contra a economia nacional, importando, com ágios ao cambio oficial, automóveis para uso próprio ou para comércio desonesto. Já experimentamos éssa infâmia. Levantou-se a imprensa honesta, livre e independente de todo o país, repudiando a desfaçatez desse gesto. De nossa parte, chegamos a apontar os nomes dos desavergonhados parlamentares que defenderam e votaram o abjeto diploma legal. E a notícia aí está, revoltando os homens de bom senso: deputados da nova “safra” articulam a feitura dessa nova lei, já para o início da próxima legislatura, visando “motorizar-se” por pouco dinheiro e em detrimento flagrante aos interesses do próprio paí...

Ainda os preços das coisas (28 de outubro de 1958)

Positivamente, é estarrecedor o clima atualmente vigente no Brasil e que diz respeito à corrida altista de todos os preços de mercadorias, especialmente dos gêneros de primeira necessidade. Problema complexo, é verdade; suas origens são múltiplas, não há negar. Entretanto, o ponto nevrálgico dessa questão, em que pese as confessas boas intenções do Govêrno Federal, está antes de mais nada, ligado diretamente à responsabilidade do Presidente da República. Verdade é que a barragem destinada a sustar essa caótica anomalia, deve ser um trabalho de equipe, mas, nem por isso, imune o Govêrno da União do maior quinhão da responsabilidade nesse campo. Diversas são as origens dêsse estado de coisas, tão deprimente no Brasil, colocando nosso país, num índice verdadeiramente abjeto, em relação às nações do mundo, onde o custo de vida é o mais caro. A falta de uma fiscalização eficiente, maciça, positiva e honesta de órgãos competentes, integrados por gente que não se diga apenas, mas que de fato ...

Abusos e mais abusos (25 de outubro de 1958)

Não é necessário ser comunista e nem tampouco revoltado, para sentir náuseas de muitas coisas que acontecem à miude por êstes Brasís que Cabral e sua flotilha descobriram por mero acaso. Mesmo os que se julgam e procuram ser ponderados na emissão de conceitos ou apreciação de fatos, chegam a desesperar-se e perder a transmontana, tamanho é o cáos moral e econômico que nos sombreia, prenunciando situações verdadeiramente desesperadoras. De tudo o que é êrro e que existe no país, a política econômica ostenta lugar elevadíssimo. O descontrole é total, o desgovêrno, idem. Mal anunciado e ensaiado o novo nível de salário mínimo e já os preços dos gêneros em geral subiram pirotécnicamente e sem encontrar barreiras de espécie alguma. Imaginem os leitores o que não sucederá na ocasião em que, de fato, tal processo chegar a vigorar oficialmente. No Brasil, desgraçadamente, cada qual faz o que quer, porque aquí os ladrões grandes agem impunemente e cadeira só se faz mesmo para os pequenos larápi...

Abusos e mais abusos (25 de outubro de 1958)

Não é necessário ser comunista e nem tampouco revoltado, para sentir náuseas de muitas coisas que acontecem à miude por êstes Brasís que Cabral e sua flotilha descobriram por mero acaso. Mesmo os que se julgam e procuram ser ponderados na emissão de conceitos ou apreciação de fatos, chegam a desesperar-se e perder a transmontana, tamanho é o cáos moral e econômico que nos sombreia, prenunciando situações verdadeiramente desesperadoras. De tudo o que é êrro e que existe no país, a política econômica ostenta lugar elevadíssimo. O descontrole é total, o desgovêrno, idem. Mal anunciado e ensaiado o novo nível de salário mínimo e já os preços dos gêneros em geral subiram pirotécnicamente e sem encontrar barreiras de espécie alguma. Imaginem os leitores o que não sucederá na ocasião em que, de fato, tal processo chegar a vigorar oficialmente. No Brasil, desgraçadamente, cada qual faz o que quer, porque aquí os ladrões grandes agem impunemente e cadeira só se faz mesmo para os pequenos larápi...

Inquestionável necessidade (24 de outubro de 1958)

Marília possui um organismo de indiscutíveis méritos, pela real importância que traduz dentro do progresso hodierno, no que tange ao preparo técnico de pilotagens aéreas. É o Aero Clube local, entidade que ostenta um orgulhoso primeiro lugar no Brasil todo, como a escola dêsse jaez, que jamais interrompeu suas atividades em momento algum. Sabido é que muitos aero clubes paralisaram suas atividades vez por outra, em decorrência de uma série de fatores e dificuldades normais algumas, imprevistas outras. O Aero Clube local é detentor ainda de outra condição que representa um autêntico recorde: a escola dêsse gênero que maior índice de aproveitamento apresenta hoje em todo o país. Por aí, verificarão os leitores, a importância do Aero Clube local, seu significado dentro do panorama preparatório de novos pilotos brasileiros, pilotos êsses que poderão, em eventual beligerância, dignificar os céus do Brasil ou do exterior, como combatentes. Apresenta uma lacuna tremenda, entretanto, o Aero Cl...

Satisfação de ambas as partes (23 de outubro de 1958)

Com respeito às eleições passadas, existem em Marília dois grupos distintos de marilienses. A fora os neutros, os frios, cujo número é ínfimo, duas facções são distintas entre nós, a dos que foram francamente pró eleição de gente da cidade e dos que “suaram a camisa” e ganharam dinheiro (ou promessas de emprego) ao trabalharem para gente de fóra. Ambos os grupos estarão satisfeitos agora, com tôda a certeza. Apesar de não totalmente, as duas correntes encontram-se contentes, embora uma delas esteja desfrutando aquela sensação alegre do dever cumprido e a outra, usufruindo uma felicidade falsa, com alguns pesos de quilos na consciência. Nós nos encontramos classificados na primeira condição. Bairristas que somos, amantes intransigentes de Marília, sua gente, seus problemas e suas causas, desfrutamos agora aquela atmosfera de felicidade bem intencionada, aquela impressão consciente de termos empregado nossos esforços cívicos em pról de nossa cidade. Elegemos um deputado estadual, quando ...