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O crime da enfermeira (1º de fevereiro de 1956)

Há pouco, foi a Capital da República abalada, com o desenrolar de um horripilante crime de morte: numa mala foi encontrado um cadaver de um homem, esquartejado e sem a cabeça. A polícia carioca estava atarefada com as investigações para descobrir o autor do monstruoso esquartejamento, quando surgiu uma pista, fornecida pelo motorista de praça, Adriano Augusto Lourenço. Em vista disso, a enfermeira Maria da Penha Pereira, de côr, empregada do Hospital Souza Aguiar, foi detida para interrogatório. Bem “baratinada” pela polícia, Maria da Penha “deu o serviço”. A enfermeira vivia amasiada com a vítima – Américo José da Silva –, há alguns anos. Ultimamente, Américo vinha maltratando a amante, segundo esta declarou. Uma ocasião, o homem sentiu-se doente e pediu à companheira que lhe aplicasse uma injeção de penicilina. Maria da Penha que há muito vinha ensaiando uma vingança contra o amigo, viu surgir a oportunidade. Ao regressar à casa, injetou em Américo uma ampola de entorpecente. Quando ...

Aspiradores de lança-perfume (31 de janeiro de 1956)

Não sabemos bem qual a dosagem etílica disso que se chama lança-perfume e que é complemento indispensável para o tríduo (que é quatríduo) momesmo. O que é certo é que a substância etílica não é das menores e sua aspiração não se recomenda a ninguém. No entanto, nesses bailes tipo “aperitivos carnavalescos”, já se têm verificado, à miude, o abuso dessa prática. Pessoas de ambos os sexos, adultos e crianças, vivem aí, em salões de baile, na vista de todo o mundo, com lenços ensopados de éter, aspirando tal substância. Também não temos elementos para dizer das consequências da embriaguez por aspiração de líquido de lança-perfume. Cremos, no entanto, tratar-se de uma embriaguez tanto ou mais consequenciosa do que a do próprio álcool. As autoridades policiais, os dirigentes de clubes, todos, enfim, deveriam trabalhar, no sentido de coibir o uso dêsse expediente. Sábado último, num clube da cidade, observamos um garoto “enchendo o nariz” com o lenço embebido em lança-perfume. O rapazinho par...

A COMAP precisa trabalhar (28 de janeiro de 1956)

A COMAP, que teve um “período róseo”, quando da curta gestão do sr. Washington Simões, precisa agora, mais do que nunca, voltar às suas atividades em pról do povo. Os abusos que se verificam, por todos os pontos e em todos os sentidos, no que diz alusão a desrespeito aos preços dos mais variados gêneros e utilidades, carecem de um dique. Domingo passado, no Mercado Municipal, vimos uma senhora pagar cinco cruzeiros por um pé de alface! Parece incrível, não é? O açúcar deu outro “pulinho”. A carne, apesar de tabelada (fala-se em novos aumentos) é vendida por preços maiores, tôdas as vezes que o freguês adquire frações de quilo. Se o consumidor se der ao trabalho de fazer cálculo do peso e dos cruzeiros, em proporção ao custo da unidade de quilograma, constatará o que estamos afirmando. Êsse fato se repete, seguidamente, por parte da maioria dos açougueiros da cidade. O tomate, o xuxú (imaginem!), a banana e tôdas as espécies de verduras e frutas foram às nuvens. Muita coisa não pode ser...

A capacidade de criticar (27 de janeiro de 1956)

Capacidade de criticar não é qualquer que possui. Um indivíduo, para criticar determinada ação, precisa, antes de mais nada, saber onde tem o nariz. Precisa também ser sensato, objetivo e ter conhecimento de causa. Não se pode admitir um crítico de cinema, rádio, futebol ou coisa que o valha, que não conheça à altura a matéria a ser criticada. O “ouvi falar” ou “disseram” não fica bem para nenhum crítico, principalmente para os gratuitos e incompetentes, embora tenham capacidade para outros misteres. Essa coluna tem um crítico ferrenho – doentio mesmo. O homem pega o jornal e devora o que escrevemos. Depois começa a “analisar” os nossos erros. Todos êles: de ortografia, de lógica, de perfeição, de oportunidade, etc.. Nunca êsse indivíduo, que é um boçal perfeito (trajado de “gentleman”), encontrou um único artigo nosso, que estivesse a contento. Jamais um assunto por nós abordado, mereceu a sua aprovação. O homem é positivamente “do contra”, com respeito aos nossos escritos diários. “M...

Gente Feliz! (26 de janeiro de 1956)

Hoje em dia, em quase tôda a infância, a vida norte-americana tem forte influência na formação moral de grande parte dos povos do mundo. Exceto na Rússia e em outros países satélites do bolchevismo, o americanismo é bastante admirado. Na realidade, é o povo que melhor sabe impressionar e fazer sua propaganda no exterior. Começando pelo cinema, os norte-americanos sabem empolgar e influir psicologicamente nos espíritos em formação e mesmo naquêles que pensam sensatamente e que têm, por excelência, princípios democráticos. O autor destas linhas, esteve em sua infância, perdido de amores pelos “yankees”, em conseqüência das histórias apreciadas em películas cinematográficas. Posteriormente, passou a sentir uma certa repulsa pelos norte-americanos, quando, erroneamente, os interpretava como um povo desalmado e conquistador, intransigente em seus postulados doutrinários e convencido de si próprio. Mais tarde, tivemos o ensejo de viver, compulsoriamente, por mais de um ano, com aquêle povo. ...

Uma boa administração (25 de janeiro de 1956)

Não é nosso intuito escrever para agradar quem-quer-que seja. Tampouco pretendemos dispensar elogios ou palavras engrandecedoras, com o mero fito de bajular. Os assuntos que abordamos diariamente neste editorial, são os que entendemos como oportunos e de interêsse geral. Assim sendo, cumpre-nos pôr em evidência, já os primeiros frutos da administração inicial do dr. Miguel Argollo Ferrão, atual Prefeito Municipal. S. S. assumiu o cargo de Governador da cidade, com vontade de trabalhar realmente. Voltado inteiramente a todos os setores que digam respeito aos interêsses do município e dos munícipes, o dr. Argollo está deixando bem patente, que, sem alardes, é capaz de trabalhar. Já se notam diferenças apreciáveis em diversos setores da vida mariliense: estradas, feiras livres, limpeza da cidade, etc. O dr. Argollo principiou por exigir dos servidores municipais, maiores atividades, maior interêsse pela causa da “urb”. Interessado como sempre com o problema da água, está desenvolvendo aç...

O carnaval que se aproxima (24 de janeiro de 1956)

Vem aí o carnaval. Festa do povo por excelência. Quase todos participam, de um ou outro modo, das folias momescas. Mesmo aquêles que não “entram em cordões”, que “não se esbaldam” e “não se acabam” em bailes carnavalescos, gostam sempre de sair às ruas, para apreciar o movimento louco de muita gente que comete verdadeiras loucuras nesses dias. Pensando bem, o povo tem mesmo que se divertir. Principalmente o povo brasileiro, que vive num “batente” tremendo durante o ano todo. A expansão é natural e não pode ser censurada. O que se condena nos praticantes das folias carnavalescas, são os excessos que por vezes se verificam, em diversos pontos, mal justificados como “brincadeiras” de carnaval. Nós, em absoluto, somos contra o carnaval. Achamos ser de justiça a brincadeira que é tradicional no Brasil. Mas um divertimento sincero, sem malícias. Sim, pois hoje em dia, a maioria dos foliões encara as brincadeiras carnavalescas como motivo de vazão a atitudes exageradas e por vezes imorais. Le...