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Medida desaconselhável (30 de setembro de 1958)

Há dias, pela União Paulista de Servidores Públicos Federais, Estaduais e Municipais, foi encaminhada ao sr. Governador do Estado, uma representação, solicitando estudos e providencias do Executivo bandeirante, no sentido de modificar o horário dos funcionários estaduais para 5 dias da semana. Em tal memorial, poderá o citado organismo que a chamada “semana inglesa” já foi realizada com êxito na municipalidade de São Paulo, em estabelecimentos militares e em grande número de indústrias. Justificou a medida como de economia para os cofres públicos, com a diminuição de despesas decorrentes do consumo de energia elétrica, limpeza e material, etc.. Adianta ainda que disso resultariam benefícios para o próprio público, uma vez que o expediente normal seria dilatado e não venceriam aos sábados os prazos para pagamentos e outros fins fiscais. A medida é desaconselhável, por dois pontos distintos: primeiro, pelo privilégio que proporcionará a uma classe, que irá trabalhar apenas cinco dias por...

Prudência e serenidade (27 de setembro de 1958)

É natural do próprio homem as mutações momentâneas. As circunstancias transformam homens e grupos, estando a própria História cheia de exemplos: Nero, Ulysses, Mussolini e mesmo Perón e Getúlio, são a prova disso. Segunda-feira passada, por ocasião de um comício político na cidade, vimos divergência de idéias de dois grupos. Divergências éssas perfeitamente normais, mercê da democrática atmosfera em que vivemos, que faculta a quem-quer-que seja, pensar livremente e livremente agir, desde que, dentro dos preceitos assegurados pela própria Carta Magna de nossa República. E disso tivemos a corroboração, quando a própria polícia, que estava executando os trabalhos de prevenção pública, sob a direção pessoal do delegado Severino Duarte, isolando as duas correntes, permitiu e garantiu a livre manifestação de ambas, numa demonstração irretorquível da preservação dos postulados emanados pelo nosso regime atual. Não nos compéte a análise das condições verificadas na oportunidade. Igualmente não...

Tracoma, terrível mal (26 de setembro de 1958)

Fato é que nos dias de hoje, o indice dos tracomosos em nosso país baixou tal termômetro introduzido numa sorveteira. O terrível mal, que tantas vitimas fez no passado em nosso país e que é o responsável direto por tantos e tantos casos de cegueira entre nosso povo, hoje está reduzido a cifra verdadeiramente pequena. Contribuíram, para a diminuição dêsse mal, por um lado a própria ciência médica que avançou de maneira extraordinária durante as últimas décadas; de outro, a mais acentuada educação de eugenia geral nesse sentido; de outro, ainda, os interêsses dos próprios Govêrnos, que, pelo menos nesse particular, se nunca estiveram perfeitamente completos, pelo menos se mostraram bastante próximos da solvição cabal da necessidade colimada. Como dizíamos, hoje em dia, não se verifica o grassamento do mal do tracoma em condições alarmantes. Mas existe ainda a remanescência da infecção e seus ataques em diversos setores, principalmente na zona rural. Mesmo assim, a Secretaria de Saúde do ...

A “verve” popular (25 de setembro de 1958)

O nacional, via de regra, é prestigioso em idealizar “tiradas”, aproveitando sempre motivos circunstanciais. Vê sempre uma “deixa” para inventar uma boa piada, sôbre assunto variado, focalizando seguida e rapidamente, os acontecimentos ou pessoas de projeção ou destaque. Parece ser um dom natural. Se alguém se desse ao capricho e trabalho de coletanear as “piadas” espontânea (s) e tão ricas em humorismo natural, propicias e oportunas em face das lides focalizadas, editaria um livro incrivelmente gostoso de ser folheado. Vimos as grandes “piadas” referentes a João Alberto, Getúlio, Góes Monteiro, Dutra, Adhemar, Jânio e muitas outras personalidades, salpicadas de gostoso “sense of houmor” e polvilhadas com uma boa “pimenta” nacional, tão habilmente difundida nas ocasiões respectivas, vimos o extraordinário e verdadeiramente recordista “estoque” de finíssimas “tiradas”, surgidas recentemente, quando da visita oficial ao Brasil, do então Presidente de Portugal, general Craveiro Lopes. O ...

Uma realidade (24 de setembro de 1958)

Como observadores, estivemos acompanhando o desenrolar do comício de segunda-feira última, quando falou ao público local o líder vermelho sr. Luiz Carlos Prestes. Igualmente estivemos acompanhando as manifestações pró e contra exteriorizadas na ocasião. Chamou-nos a atenção, de maneira especial, o fato de que enquanto o sr. Carlos Prestes “descia a lenha” em nossa polícia, essa mesma polícia (que) lhe garantia a palavra e mantinha a ordem pública, isolando, inclusive, os manifestantes contrário à sua doutrina política, assegurando-lhe o direito de se manifestar livremente, dizendo o que bem entendesse, censurando poderes constituídos e alardeando as suas idéias exóticas. O comício referido movimentou todos os elementos disponíveis de nossa polícia, compreendida entre investigadores, Guarda Civil e Força Pública, incluindo-se pelotões de choque desta, que promoveram um cordão de isolamento, impedindo que os dois blocos pudessem encontrar-se e disso resultar, devido ao espírito alterado...

O grande tribuno (23 de setembro de 1958)

Por dever de oficio, temos acompanhado e assistido a realização de todos os comícios políticos realizados em nossa cidade, desde a época de redemocratização do país, ou seja, desde 1.945. Em consequência, temos ouvido, como simples observadores, discursos dos mais variados e proferidos por oradores inúmeros, desde os mais medíocres até os mais dotilóquios. Sábado último, por ocasião da realização do comício em pról da candidatura do padre Calazans, ficamos verdadeiramente encantados a oratória simplesmente maravilhosa do grande tribuno que demonstrou ser o padre Godinho, da Ordem dos Jesuítas. O que mais nos impressionou na alocução desse sacerdote, foi aquilo que se chama “linha parlamentar”. Oração que traduziu, antes de tudo, a personalidade de quem a proferiu, num ambiente sumamente elevado e uma demonstração de um espírito atinado, sapiente, pleno de filosofia, sociologia e teologia. Discorreu o padre Godinho sôbre a questão política nacional, com uma ombridade incrível. Mesmo ten...

Explicação que nada explica (20 de setembro de 1958)

Não é segredo para ninguém e muito menos para o observador comum, que as cidades de nosso Estado, onde a Emprêsa Teatral Pedutti goza do privilégio do monopólio cinematográfico, são as mais desservidas do Brasil nêsse sentido. Nós mesmos, desta coluna, temos procurado chamar as atenções do sr. Pedutti sôbre o fato, pois o que estamos seguidamente vendo em Marília nesse campo, chega a ser mesmo uma calamidade. Igualmente, outras pessoas têm apresentado reclamações em penca ao responsável por êsse estado de coisas, incriminando o descaso para com o público pagante, principalmente no que diz respeito ao selecionamento das películas e aos filmes “abacaxis”, cortados e velhos. Em face disso, distribuiu a Empresa Pedutti, em formato de panfleto, uma “Explicação Necessária”. Eis alguns tópicos: “Sendo como é, simplesmente exibidora e não produtora, não cabe a ela a responsabilidade da má ou boa qualidade dos filmes. “Diria então alguém “Cabe aos exibidores, selecioná-los”; mas é preciso lembr...