Postagens

Daqui e de lá (31 de outubro de 1973)

Existem por ai. Vadios, cheirando a suor e exalando o hálito azedo de cachaça, assediando todo mundo, pedindo esmolas. Não são mendigos, embora assim tenham sido “carinhosamente” chamados. Costumam utilizar, com muita frequência, na base de “apelação”, a seguinte frase: - É melhor pedir do que roubar. Analizando-se a profundidade da afirmativa, é convir-se, à grosso modo interpretado, que de fato, é melhor pedir do que roubar. Todavia, os meios nunca justificam os fins. --:-- Eles estão pedindo. Ludibriando a fé pública. Enganando as gentes, aborrecendo a família e a sociedade. Escudados pelos mendigos realmente necessitados e que não tem condições de trabalhar, esses outros, os vadios e pinguços que muitos já chamaram, inclusive na Câmara, de “mendigos”, tem até defensores. Mais do que isso, originaram até uma crise política na cidade, que envolveu Prefeitura e Polícia. --:-- Existe outro tipo de pedintes. Estes, nunca a Câmara irá d...

Repete-se a história (30 de outubro de 1973)

Volta, pelo que se percebe, a repetir-se a historia. Batida, banalíssima, tradicional, carcomida, encaniçada. Aproximamo-nos do pleito eleitoral, que deverá eleger os deputados dos Estados e da União. E, como nada há de novo sob o sol, prevê-se como irremediavelmente certo, de que Marília, mais uma vez não irá eleger um deputado próprio. --:-- Os balões de ensaio, prenunciando a viabilidade de três ou quatro candidatos locais disputando o páreo, antecipam a garantia do pleno fracasso eleitoral dos mesmos, representando paralelamente, o fortalecimento de candidatos alienígenas. --:-- A esse respeito, já temos marilienses “lacrados” como “cabos eleitorais” de gente de fora: um ex-prefeito, um atual vereador e um funcionário estadual aposentado, já estão “trabalhando” para aventureiros de outras plagas, gente que nunca moveu uma palha siquer por Marília, mas que daqui, mercê dos trabalhos desses três “bons” marilienses, sempre levam votos preciosos para seus nú...

Carta sem sê-lo (27 de outubro de 1973)

Marília, 27 de outubro de 1973. Ilustríssimos Senhores: Luiz Rossi Lourenço de Almeida Senne Romildo Raineri Ruy Avallone Garrido Abdo Haddad Filho Nadyr de Campos Pedro Ortiz da Silva Luiz Homero Zaninoto Hideharu Okagawa Antonio Alcalde Fernandes Nasib Cury Octavio Torrecilla Oswaldo Doretto Campanari Wilson de Almeida e Josué Francisco Camarinha Prezados Senhores, Permitam-me Vv.Ss., a feitura da presente, que colima enfeixar o intento, de oferecer uma despretensiosa colaboração informativa. Absorvidos, naturalmente, com os afazeres particulares e pessoais das contendas cotidianas, que os sobrecarregam com o peso do “múnus público” da vereança municipal, é possível e de certa forma plausivelmente lógico, que Vv.Ss. desconheçam, de forma objetiva e franca, o que pensa uma grande parcela de nossa coletividade. Como jornalista profissional, veterano, ativo e legalmente habilitado e registrado, sou uma célula de uma coletividade....

Bate papo sem crediário (26 de outubro de 1973)

Aconteceu noite destas. Passei, como eventualmente faço, no Bar do Quito. Quito é meu conhecido de há mais de 25 anos desde o tempo em que eu ainda tinha condições físicas de lidar com uma bola e quando ele despontava como um dos bons árbitros da Liga Municipal de Futebol. --:-- Havia uma mesa de amigos. Composta por Michel Sudaya, Nicolau Nasraui, Abilio Cabrini, Dr. Antônio Alcalde Fernandes e vereador Nasib Cury, que em noite de autentica “zebra”, saboreava um sorvete. A distancia, a presença do ex-goleiro do sãobentinho, Aurélio Grassi. Convidado, aproximei-me da “assembleia”. --:-- Tenho percebido que, de uns tempos para cá, Michel está se revelando um atinado observador político. Ou por conveniência com o Quico (Quico, não, Quito), ou por influencia do Nasib, Michel está transformando-se num “peixe ensaboado”. Disso eu convenci-me, ao saber que tempos antes, no mesmo local, Michel havia ministrado uma fortíssima “sabatina política”, ao ex-prefeito Arma...

Porque se não instala a 3ª Vara (25 de outubro de 1973)

Existem dois tipos de inveja: A inveja de respeito puro e admiratório pelo desenvolvimento, capacidade e valor alheio, em comparação com o nosso próprio. E a inveja propriamente dita, a inveja abjeta, de caráter pejorativo e simplista. --:-- Sempre invejei Bauru, sob o prisma da inveja sadia e respeitosa, sem razões simplistas ou pejorativas. Sempre admirei o seu progresso irrefreável, notadamente durante a última gestão de sua administração municipal, quando Alcides Franciscato regia os destinos da “cidade sem limites”. --:-- No mesmo lapso-tempo, enquanto Bauru progrediu 10 em 4 anos, nossa querida Marília estacionou, submersa numa modorra lastimável, que os pseudos “bons” marilienses teimam em negar ou em ignorar. --:-- Bauru consegue tudo o que necessita e aspira, junto às esferas administrativas da União e do Estado. Marília nada consegue. Não há nada de previlégio nisso, em pról de Bauru. E nem de preterição, contra Marília. O que exist...

Prédio do Palácio da Justiça (24 de outubro de 1973)

Dia outro, via esta mesma coluna, sugeri a viabilidade de procedimento de estudos, com vistas a optar-se ou não, acêrca de um local, que reputo como estrategicamente capaz, de servir para a construção do novo Palácio da Justiça de Marília. --:-- Como se sabe a edificação de novo prédio, amplo, moderno e funcional, representa necessidade inadiável, uma exigência decorrente do progresso da comarca, no setor forense. O atual prédio da rua Bahia, tornou-se acanhado e obsoleto, não comportando como devia, o acomodamento dos órgãos competentes das Varas existentes, cartórios e dependências outras. --:-- O terreno inicialmente colimado pela municipalidade, para o destino em tela, não teria satisfeito as condições todas para ali constituir-se o Palácio da Justiça. Parece que a situação ficou em “banho maria”, representando essa hipótese, uma série de dificuldades para os serviços forenses, pois que, o protelamento ou a morosidade na adoção dessa necessária medida, virá ...

No passado era assim (20 de outubro de 1973)

Este escrito é feito sob encomenda. Um construtor mariliense, confesso fã aqui do escriba, palestrando outro dia, fêz-me o pedido. Disse-me ele, que deve ter uns trinta anos de idade mais ou menos, que nada sabe da II Grande Guerra Mundial e que as gerações mais novas, ignoram quase que totalmente, a participação do Brasil nesse conflito. --:-- Embora reservista de primeira categoria, tendo servido em corpo de tropa do Estado de Mato Grosso, ignorava-se os pracinhas foram todos convocados para a guerra, se eram da ativa ou se foram voluntários. E pediu-me para que escrevesse, contando de qual maneira os soldados brasileiros foram incorporados à FEB. “Para que outros saibam, porque muitos não sabem” – arrematou. Vou atendê-lo. --:-- Na época em que o Presidente Getúlio Vargas e o Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, decretaram a mobilização geral, a prestação do serviço militar era regida por processos diferentes do que agora se verifica. ...