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Juventude Católica de Marília (28 de fevereiro de 1958)

Estivemos ontem visitando diversas obras e empreendimento da Juventude Católica de Marília, organismo de benemérita assistência social e espiritual, dirigido pelos congregados marianos da Paróquia de São Bento. Percorremos rapidamente a séde da entidade, à Rua Paraiba, 280 e pudemos constatar uma verdadeira revolução de idéias e ações naquêle local. Diversos reparos e ampliações do patrimônio imobiliário estão sendo executados, já quase no período final. O “Ginásio São Bento”, integrante da Juventude Católica de Marília, passou por radical reforma. Está agora o aludido estabelecimento de ensino médio, com sete amplas, magníficas e bem arejadas classes, com a capacidade média de 40 alunos por unidade de sala de aula. No ano passado, frequentaram o citado estabelecimento educacional, 125 alunos e até ontem, quando ali estivemos, verificamos que o número dos interessados matriculados atingia 306, número êsse possivelmente acrescido durante o dia de ontem e que deverá ser aumentado hoje, ú...

O dia do município (27 de fevereiro de 1958)

Quatro de abril é o Dia do Município de Marília. Marcará a passagem do 29º aniversário de emancipação municipal da cidade. Cairá tal data, no ano em curso, na Sexta Feira Santa, conforme tivemos a oportunidade de lembrar aos poderes constituidos da cidade, em tempo hábil. Na ocasião, sugerimos até, a possibilidade de estudos, no sentido de que as comemorações aludidas sejam transferidas para o dia 6, domingo. O fato, entretanto, escolhido para a nossa crônica de hoje, não é bem a questão da transferência ou não da data. Isso compete à comissão respectiva que será nomeada pelo prefeito Argolo Ferrão, na qual colaborará, como sempre, a Câmara Municipal. Nosso objetivo à colaborar com os membros da aludida Comissão, lembrando-os de alguns pormenores atinentes ao caso. Por exemplo, a execução da Lei já aprovada pela edilidade e sancionada pela Prefeitura, acêrca do Salão de Belas Artes. Tal caso exige providências imediatas, pois se as ações a respeito forem deixadas para a última hora, tr...

Introdução ao Direito Municipalista (26 de fevereiro de 1958)

Regressaram os membros da delegação mariliense, que esteve participando da Noite Municipalista levada a efeito no último sábado, na cidade de Botucatu. Aniz Badra, Coriolano de Carvalho, Edmundo Lopes e Álvaro Simões foram os vereadores de nossa cidade que representaram Marília nêsse rápido conclave. Nós que sempre fomos apaixonados dêsse redentor movimento, movimento que agora toma corpo de tal forma e ações irrefreáveis, procuramos contacto com um dos delegados marilienses. Em virtude dos encontros diários que temos com o rev. Álvaro Simões, êste foi o escolhido para nos prestar alguns esclarecimentos acêrca do desenrolar da citada noitada. Ficamos, em consequência, sabendo a confirmação daquêle mesmo pensamento por nós reiteradas vezes externado: ninguém segurará mais, ninguém deterá mais essa arrancada de reivindicações e defesa das comunas brasileiras. A força municipalista traduz-se agora em realidade, em respeito, em direitos. Ao par de possíveis intromissões de politiqueiros co...

Cornélio Pires (25 de fevereiro de 1958)

Perdeu o folclore nacional uma das suas mais legitimas expressões, com o desaparecimento de Cornélio Pires. Poeta, humorista e cantor, foi o pioneiro das pesquisas folclóricas do nosso país, difundindo a vida pitoresca e as passagens cômicas do caboclo interiorano. Conhecemos Cornélio Pires e travamos contacto pela primeira vez com o grande “poeta caipira”, por volta de 1939 e de lá para cá, tornamo-nos fãs de seus trabalhos de apreciação das coisas de nosso caboclo brasileiro, especialmente o “caiçara” paulista, o “arigó”. O que mais se admirou em Cornélio Pires, foi a honestidade de sua poesia ou prosa, a “verve” sadia de seu humorismo real, agradável. Manteve sempre um principio de dignidade dos mais encomiosos, ao abordar a vida do povo interiorano. Soube e foi capaz de explorar o meio ambiente do matuto paulista, com uma sobriedade elogiável, sem deturpar fatos e sem ridicularizar o caboclo. Contou sua vida tal qual como é, sem pejorativismos, sem exageros, sem pornografias. Jamai...

Atores para o cinema nacional (22 de fevereiro de 1958)

Acaba o Governador do Estado de aprovar, extenso parecer da Comissão Estadual de Cinema, acêrca da criação de um Curso Intensivo de Atores para o Cinema Nacional. Tal medida destina-se a funcionar “como primeiro passo e experiência, no sentido de uma ação maior futura do Estado, no plano do ensino cinematográfico”. De acôrdo com o plano previamente elaborado, o curso em referência terá a duração de 10 meses consecutivos, devendo iniciar-se já em março vindouro. Constará de aulas teóricas de 40 minutos e práticas de 90 minutos, dividido em 123 aulas de Noções Gerais de Cinema, 134 Aulas Teóricas de Interpretação e 180 práticas, além de 20 conferências de duas horas de duração cada uma. Patrocinará tal modalidade de instrução, o próprio Governo do Estado, por intermédio da Comissão Estadual de Cinema e será realizado em convênio com o Seminário de Cinema do Museu de Arte de São Paulo, entidade dotada de instalações adequadas e apetrechos necessários ao funcionamento do aludido ensinament...

Imaginação do passado, realidade do presente (21 de fevereiro de 1958)

Há algumas décadas passadas, a leitura de Júlio Verne era encarada como cética, irreal, maníaca. Os que manuseavam, no pretérito, as obras do famoso escritor, faziam-no descrédulos, mais a título de curiosidade. Quase ninguém estaria em condições de dar crédito às “fantasias” de Verne. As leituras empolgavam, como continuam empolgando ainda hoje. Sòmente que agora, da comparação das idéias e imaginações emitidas no pretérito e das realidades do presente, pode-se concluir que o mestre tinha carradas de razões. Incríveis razões. Existem fatos inexplicáveis dentro do sentido eminentemente psicológico de propulsão das idéias. Por volta de 1930 e pouco, uma firma norte-americana de revistas em quadrinhos, editava um volume dêsse tipo de leitura intitulado “O quadrante amarelo”. Lemos, em criança, o referido volume. Na ocasião, o enredo se nos parecia empolgante, invulgar, inédito. A sua narrativa dava conta de um país atacando parte de um território estranho e em consequência, a eclosão de ...

Pílulas do Carnaval (20 de fevereiro de 1958)

Decorreram bem, no que tange à disciplina e ordem, os dias dos folguedos carnavalescos em Marília. Afóra algumas “broncas” e alguns “rolos” de importância pequena, motivados por alguns foliões e algumas bebidas, tudo transcorreu à contento. Não ha, ao que parece, nenhum assunto desagradável para ser comentado. –:-: – Esteve excelente e digno de encômios, o policiamento de trânsito de veículos participantes do corso da avenida. Muita ordem, muita harmonia, muita vigilância da Guarda Civil, no cumprimento das medidas preventivas determinadas pelo Dr. Severino Duarte. Parabéns. –:-: – Carnaval de rua, praticamente não existiu. Vimos grande desfile de veículos motorizados, de todos os tipos e marcas. Ausência completa de ranchos, préstitos, blocos e cordões. Nenhuma fantasia custosa, extraordinária. Pouco lança-perfume. Muitas bisnagas com água, éter e até alcool puro. –:-: – Só um carro alegórico, pertencente à Cervejaria Bavária. Só uma escola de samba, do “morro do querosene”. Nem aquel...