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Visitas à Filantropica (31 de outubro de 1956)

Temos noticiado ultimamente, os gestos nobilíssimos de muitos marilienses dispendendo algumas horas de suas ocupações ou descanso, para realizar visitas coletivas a entidades assistenciais da cidade. Em verdade, nem poderíamos deixar de colocar em devido destaque gestos altruísticos de tal natureza, que provam, de público, o espírito de solidariedade de muita gente, levando um pouco de conforto, carinho e alegria aos garotinhos e garotinhas que se encontram abrigados na Associação Filantrópica e no Lar da Criança de Marília. Em muita gente, despertamos o espírito desse procedimento. Ultimamente tem aumentado as visitas do povo, em grupos organizados, a essas duas instituições, que são, sem dúvida alguma, verdadeiros cartões de visita da cidade, mostrando aos forasteiros, o carinho e o desvelo com que os marilienses se dedicam aos infortunados petizes desamparados. É comovedor, o quadro traduzido na gratidão de uma infinidade de olhinhos alegres e centenas de boquinhas sorrindo de satis...

O Brasil e a inflação (30 de outubro de 1956)

Desolador quadro estatístico acaba de ser divulgado pela imprensa nacional, acerca do índice inflacionário de mais de sessenta países do globo. O Brasil, o chamado rico Brasil, cujas reservas minerais dormitam no sub-solo, cujas terras tudo produzem, cuja extensão territorial é das mais invejáveis, ostenta, desgraçadamente, o primeiro lugar dentre as nações mais inflacionárias do mundo, com uma cifra de elevação constante do custo de vida, de fazer vergonha até aos estrangeiros entre nós radicados. O fenômeno agrava-se dia a dia. Os estudos desenvolvidos por técnicos e comissões especializadas têm sido os mais inócuos possíveis. Os planos de reerguimento econômico do país postos em prática pelos govêrnos e ministros de Estado, até aqui nenhum resultado objetivo conseguiram apresentar. O descontrole é tão patente, que passou a ser coisa de rotina entre os brasileiros. Já ninguém se admira das elevações constantes do custo de vida, já ninguém se estarrece da política econômico-financeira...

Gesto nobre de marilienses (27 de outubro de 1956)

Vários grupos de pessoas representando organizações, firmas ou associações de classe, têm procedido, à miude, nobilíssimos gestos, ao visitar entidades assistenciais de Marília, especialmente aquelas que abrigam sob seus tetos crianças desamparadas. O Lar da Criança e a Associação Filantrópica, seguidamente recebem dessas visitas coletivas, que, ao par do apôio material que as mesmas traduzem, representam indiscutível estimulo moral, levando alegria às criancinhas. Êsses orfanatos precisam mesmo contar com atitudes dêsse jaez, por parte dos marilienses. Aquêles pequeninos sêres, apesar do conforto, carinho e humano tratamento que recebem nessas casas filantrópicas, sentem melhor o calor da amizade do povo de Marília, por ocasião dessas visitas coletivas. Qualquer um de nós será bem capaz de interpretar o quanto significa para aqueles que embora vivendo com todo conforto e amizade de bons corações, desconhecem, por contingência involuntária, o calor do lar paterno. Não há muito, o verea...

Os generos e seus preços (26 de outubro de 1956)

Clama com razão a Imprensa de todos os pontos do país, acerca dos abusos que se praticam sôbre das utilidades de primeira necessidade. De fato, as coisas andam tão descontroladas a respeito, que o Brasil tornou-se um verdadeiro paraiso de gananciosos. Já não existem freios para colocar um dique no movimento altista que desgraçadamente, classifica nossa pátria em primeiro lugar entre as nações mais inflacionarias do mundo. Nem sempre, pode-se culpar o pequeno comerciante. Este já não dispõe de meios capazes de controlar as vendas, porque comprando pouco, e seguidamente, seguidamente tem que ir pagando mais caro e vendendo mais caro também. O mal precisa ser atacado pela raiz. O ponto vital origina-se quando os intermediários metem o dedo e quando os grandes atacadistas fecham negócios com partidas gigantescas, muitas vezes para armazenar, prendendo o produto e forçando automaticamente as altas dos preços, sob os olhos complacentes dos órgãos controladores de preços. De qualquer maneira,...

A Semana da Asa (25 de outubro de 1956)

Marília não esteve indiferente às comemorações da Semana da Asa, que se feriram em todo o Brasil. Terça-feira, às 16,45 horas, todos aviões marilienses, que se encontravam em condições de vôo, estiveram no ar no horário referido. Por outro lado, as escolas dos diversos cursos educacionais da cidade, prestaram também significativa homenagem ao pai da aviação. Solenidades especiais, palestras, alegorias, foram apresentadas a respeito, fazendo viva a lembrança e a saudade do povo brasileiro, ao acontecimento que tanto orgulho representa para nós. A respeito, recordamos que há uns 10 ou mais anos passados, assistimos ali no Cine São Luiz, um filme americano, sôbre a história da aviação. E saímos indignados com o desenrolar da película, apesar de tôda a nossa simpatia pelos norte-americanos. É que o enredo demonstrava a história da invenção do aparelho “mais pesado do que o ar”, suas experiências iniciais e as lutas de seus descobridores. A história esqueceu Santos Dumont; ou melhor, relego...

Homens, vamos usar saias? (24 de outubro de 1956)

Um cidadão, demonstrando confrangimento pelos atuais trajes masculinos, entendeu de proceder radical transformação nas indumentárias dos homens. Entendeu e veio a público externar a idéia, em sua inteira prática. Fez uma demonstração nas ruas de São Paulo, tendo inclusive prejudicado o próprio trânsito. O homem inventou o “new look” masculino: camisa de náilon, saia, chapeu leve e meias do tipo usado pelas bailarinas! Sapatos também tipicamente femininos! Alega o idealizador dessa “maravilha”, que os atuais trajes masculinos são descômodos, extenuam, custam caros, etc.. Justifica, a seu (modo) as “conveniências” do novo tipo de roupa para homens. E são muitas; assim como êsses remédios que os “camelots” vendem na rua: tem incontáveis finalidades. Quando tivemos conhecimento das primeiras informações a respeito, não ligamos importância ao fato. Depois, tentamos inteirar-nos melhor do andamento das coisas, quando o cavalheiro decidiu-se e levou a efeito a demonstração pública dos trajes ...

O “padrão” do nacional (23 de outubro de 1956)

Temos escrito, inúmeras vezes, artigos apreciando o espírito nato do brasileiro; muitas ocasiões, pelo lado real, embora possa parecer que abordamos o ângulo depreciativo do nacional, isto é, de nós próprios, porque falamos em tese. A verdade é que muita coisa existe errada por aí afora. Enquanto um daquêles, que, de uma ou outra forma, tem responsabilidades governamentais, dá um exemplo exuberante de patriotismo e amor pelo Brasil e por sua gente, dezenas e centenas de outros pensam mais com o estômago do que propriamente com o coração. Certa ocasião (não faz muito tempo), conhecemos na Capital Federal, um cidadão. Um conhecimento casual, como muitos que sucedem por aí com quase todos nós. Uma conversa sem importância e meramente formal, foi o início da meada de um entendimento que firmou-se em amizade à primeira vista. O rapaz quis saber coisas acerca de Marília, cidade de quem há tempos ouve dizer maravilhas. E nós, como marilienses (bairristas, mesmo), ficamos à vontade e até um ta...